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Desenvolvimento pra quem?

Atualizado: Fev 10

Neste dia 05 de fevereiro o presidente Jair Bolsonaro assinou um projeto que prevê as regras para regulamentar exploração da mineração e implantação de empreendimentos de geração de energia elétrica em terras indígenas.



Tais ações são consideradas por nós, povos indígenas um afronte aos direitos dos povos indígenas. O Brasil chega a um estado alarmante de perigo, um processo que vem ocorrendo há muitos governos, mas que tem se intensificado com o Governo de extrema direita atualmente violando tratados internacionais e colocando a pauta ambiental como uma pauta ideológica. Nós, povos indígenas estamos sofrendo o pior ataque aos direitos, praticamente um novo processo de colonização e isso tem impactos extremos e que repercutirá na dinâmica social e principalmente, ambiental.

É necessário expressar a nossa preocupação na defesa dos direitos indígenas e nos atos de criminalização, perseguição e assassinato de defensores e defensoras de direitos humanos, principalmente ao tange aos defensores ambientais. Ao longo dos anos, temos nos apoderados dos impactos desses empreendimentos sejam eles de pequeno ou grande porte têm efeitos severos aos povos e aos que se põem na linha de frente na defesa do território. O que nos vale questionar até que ponto a sociedade vai continuar aceitando esse projeto desenvolvimentista que não tem interesse algum no bem estar da sociedade, na qualidade de vida real, até que ponto estarão pagando por energia elétrica, por garimpo com sangue indígena, com o adoecimento de mulheres e crianças, com a prática genocida do Estado brasileiro.

Esses temas são questões intersetoriais, que envolvem o ciclo de vida, o padrão de consumo, o processo de produção e acumulação, a distribuição de renda e commodities, os impactos da mineração, da expansão do agronegócio, do uso abusivo de substancias tóxicas para alimentar o padrão capitalista global que não respeita os processos de consulta prévia, livre e informada, provocando inequidades em saúde para os povos indígenas e como consequência, seguimos enfrentando as mudanças climáticas devido a este padrão de consumo que não nos representa.

Não aceitaremos calados a mais esta tentativa de violação de direitos humanos, dos direitos dos povos indígenas. Não queremos mais hidrelétricas, não aceitamos a mineração nos territórios indígenas que é uma prática violenta, que é vendida sob as palavras de progresso e desenvolvimento. Já temos estudos que demonstram como o meio ambiente é degrado por tais empreendimentos, sabemos que a mineração causa a contaminação dos rios, dos lençóis freáticos e contaminar a terra, é contaminar o território e é contaminar os nossos corpos.

Nós, como jovens indígenas reconhecemos o nosso papel na defesa da vida, dos territórios ancestrais e das futuras gerações.

#NãoAMineração

#RespeitoAosDireitosIndígenas

Texto: Rayanne Cristine Máximo França (indígena do povo Baré e colaboradora da Rede de Juventude Indígena)

O texto é uma reflexão parte do seu produto de dissertação de mestrado intitulada "Injustiça Ambiental e os principais efeitos à saúde dos povos indígenas no Brasil" em fase de construção do Programa de Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional da Universidade de Brasília.

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