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Documento Final RAJ Assembléia da Retomada Aty Jovem - Guarani e Kaiowá

A Retomada Aty Jovem Guarani Kaiowá (RAJ), realizou nessa semana o Encontro da Juventude Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul "Mobilize seu Tekoha na Luta Pelo Direito dos Povos Originários".


Confira o documento final:

Nos dias 02 a 05 de julho de 2019 foi realizada a Assembléia da Retomada Aty Jovem (RAJ) Guarani e Kaiowá, na tekoha Pirakua, município de Bela Vista-MS. Na nossa Assembléia estavam presente as lideranças de Aty Guasu, Kuñangue Aty Guasu, Ñanderu,(rezadores) e ñandesy (rezadora) do povo Guarani e Kaiowá do MS. Os representantes do jovem Guarani Mbya do Estado do Paraná/ representante da Comissão Guarani YvyRupa participaram também do nosso Encontro da juventude Guarani e Kaiowa. Compareceram o representante da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, representante do Ministério Público Federal- MPF, Prefeito municipal de Bela Vista-MS, equipe da Anistia Internacional, pesquisadores (as) das universidades nacionais e internacionais, representante do Movimento Camponesa entre outras organizações indígenas e apoiadores. Durante o nosso Encontro relatamos e avaliamos as nossas condições diversas dos jovens do povo Guarani e Kaiowa que vivemos encurralados/confinados nas pequenas Reservas/Aldeias superlotadas, nas Terras Indígenas em conflito e nos acampamentos indígenas à margem da BR rodovia, aguardando a demarcação de nossa terras demandadas.

Nesses contextos atuais em que dia a dia deparamos com a violação de nosso direitos, ameaças e as violências variadas promovidas contra nossa vida. Sofremos racismo, discriminação, preconceito e humilhação nas escolas e nas universidades em contexto urbano, taxado de modo pejorativo: “índinho bugre bugra”, “ bugre incapaz”, “índio nem deveria mais viver”, somos classificados como um povo inferior pela sociedade não-indígena dominante racista e facista, por isso muitos jovens ofendidos sem força desistiram e não prosseguem nos seus estudos. Na mídia, na Rádio e TV a nossa imagem foi e é divulgada de modo negativa e distorcida isso só aumenta ódio e violência contra jovens indígenas. Há vários relatos que as queixas e as denúncias de jovens foram e são desconsideradas, ignoradas e desconhecidas pelas autoridades dos órgãos públicos municipais, estaduais e federais.

Em todos os espaços das aldeias e das cidades do Mato Grosso do Sul, nós jovens indígenas somos vistos de formas negativos como nós jovens fóssemos mais agressivos, perigosos e violentos que isso não é verdade. Os resultados disso e a soma de todos desses fatores preoconceituosos e humilhantes sofridos afetam diretamente a nossa psicologia e influenciam os nossos comportamentos. Diante desses fatos históricos, nós jovens sentimos nos ofendidos, maltratados, excluidos, taxado de violentos e sem valor.

Dessa forma já faz décadas que as nossas famílias e nosso povo sofreram violência de diversas ordens e, sobretudo a exclusão de políticas públicas, os resultados disso tudo atingem mais direta e pesada nós jovens Guarani e Kaiowa as quais avaliamos e debatemos durante os três (03) dias aqui no Encontro de juventudes. Debatendo e buscando as possíveis soluções e superações para diversos problemas e as violências que afetam a vida de jovens indígenas.

Avaliamos que não há projetos e nem políticas públicas específicas nas esferas municipais, estaduais e federais para atender as nossas demandas antigas e atuais, por isso há décadas, nós jovens indígenas Guarani e Kaiowa com nossas famílias viemos sofrendo violência, racismo institucionais, exclusão das políticas públicas, desrespeito, injustiça, desvalorização e vulnerabilidade que geraram e geram ainda constragimento, ofensa e desespero permanente e sem esperança em viver bem nas nossas terras tekoha. Em decorrência dessas condições de misérias e vulneráveis recente aumentados entre nossas famílias e povo Guarani e Kaiowa, a partir de 1980 levaram e levam à uma parte dos jovens cometer o suicídio epidêmico que um fato muito triste e preocupante que estamos lutando contra essa prática de suicídio que só começou a ocorrer no final de 1980, precisamos de apoios e ajudos de todos órgãos públicos para debater conosco e buscar as possíveis soluções para prevenir e evitar essa prática de suicídio em andamento desde 1980. Nos dias atuais, nas Reservas/Aldeias há centenas de famílias passando por situações de mais misérias, mais fome, mais vulneráveis em desesperos em crise passaram a consumir excessivamente a bebida alcóolica e as “drogas” novas que eram desconhecidas antes pelas nossas famílias e povo Guarani e Kaiowa.

Precisamos de apoio também dos órgãos públicos para combater o uso excessivo de drogas pelos jovens indígenas. Entendemos que nós jovens e adoslecentes Guarani e Kaiowa estamos crescendo e vivendo diante da situação de crise humanitária, mas resistimos sim como povo Guarani e Kaiowa. Apesar de nossas condições e situações de misérias, exclusões e vulneráveis sofridas relatadas, nós jovens queremos viver dignamente e felizes com as nossas famílias como povo Guarani e Kaiowá, por essa razão nos organizamos, lutamos e resistimos frente ao etnocídio e genocídio promovidos contra nós pelos colonizadores antiindígenas. Nós jovens pedimos apoios e ajudos urgentes para resgatar, recuperar e fortalecer as essencias de nossos bem viver, fortalecendo nosso modo de ser e viver do povo Guarani e Kaiowa. Para recuperar o nosso bem viver, para resgatar e fortalecer os nossos valores, a nossa vida boa, culturas, língua, nosso modo de ser e viver como um povo originário, a seguir reinvindicamos os projetos e a política pública às esferas públicas, fundamentados em nossos direitos constitucionais para ser respeitados e efetivados pelos poderes legislativos, executivos e judiciários do Brasil e fora do Brasil.

  1. 01) Em primeiro lugar pedimos aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais que consultem nos da organização da RAJ, para debater e avaliar os projetos e as políticas públicas que vão atingir a vida da juvendute Guarani e Kaiowa. Estamos a disposição para colaborar com a construção de projetos e as políticas públicas para atender as demandas dos jovens.

  2. 02) Construção conjunta dos projetos e as políticas públicas voltadas para atender interesses reais de juventude Guarani e Kaiowa, nas àreas de saúde indígenas, educação escolar indígenas, assistências sociais aos jovens indígenas, cursos técnicos profissionalizantes, entre outras áreas, com a participação dos representantes da Retomada Aty Jovem (RAJ) Guarani e Kaiowa.

  3. 03) Pedimos um apoio aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais para desenvolver encontros locais de jovens, em cada Reserva/aldeia onde ocorrerão as palestras, debates, oficinas, festivais indígenas, esportes e lazer, apresentações culturais que visam resgastar o bem viver e assim valorizando a vida da juventude Guarani e Kaiowa.

  4. 04) Reivindicamos apoio aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais para atender a necessidade dos jovens estudantes Guarani e Kaiowa do Ensino Médio, debatendo com cada jovem a sua vocação profissional futura, apresentando aos jovens a ementa e perfil de cada curso profissional das universidades. Para animar e mais valorização de jovens estudantes indígenas do Ensino Médio pedimos uma bolsa de estudo ou similar para prestar o tipo de estágio em diversas áreas de atuações profissionais, visando observar e compreender os locais de trabalhos dos profissionais de cada área de conhecimentos pelos jovens indígenas.

  5. 05) Pedimos apoio aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais para mapeamento e o acampanhamento das condições de jovens mais vulneraveis, maltratados, abandonados, excluidos, viciados, em fase inicial de dependência química que se encontram em situações instáveis e míseras que precisam de variados apoios urgentes e emergentes. Nós representantes da RAJ preocupados com essas condições de jovens vulneráveis pretendemos a acompanhar, monitorar e mapear os jovens em condições vulneraveis para resgastar, valorizar e garantir a vida digna para todos jovens Guarani e Kaiowa, contamos com apoios de todos.

  6. 06) Reivindicamos apoio aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais a emissão urgente de todas as documentações pessoais (certidão de nascimento civil, Carteira de Identidade, CPF,etc,) dos jovens Guarani e Kaiowa que vivem sem documentação pessoal. Que hoje há muita dificuldade enfrentada pelos jovens para obter essa documentação pessoal, devido a distância dos órgãos públicos das aldeias e jovens sem recursos para se deslocar.

  7. 07) Pedimos a conclusão da demarcação de todas as nossas terras tekohas tradicionais reivindicadas há mais de 4 décadas, conforme ordena a Constituição Federal de 1988 e direitos indígenas internacionais. Para demarcação de nossas terras Guarani e Kaiowá, em 2007 foi assinado um Compromisso de Ajustamento de Conduta-CAC, entre o Ministério Público Federal, Fundação Naciona do Índio e lideranças de Aty Guasu Guarani e Kaiowa.

  8. 08) Por fim repudiamos a aplicação da tese do “marco temporal/88” pelo Supremo Tribunal Federal -STF, contra a demarcação e regularização das terras indígenas tradicionais Guarani e Kaiowa. A tese do “marco temporal/88” foi aplicada contra tekoha Guyra Roka pela Segunda Turma do STF para anular todo o processo da demarcação das terras indígenas Guarani e Kaiowa que em 2014 foi aceito e deferido pelo STF.

  9. 09) Diante disso nos jovens guerreiros (as) Guarani e Kaiowa resistimos e lutaremos firme sempre também pela demarcação das terras indígenas tradicionais em demarcação. Colocamos a disposição aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais para discutir e buscar possiveis soluções para todos os jovens indígenas.


Tekoha Pirakua-Bela Vista-MS, 05 de julho de 2019.


Para mais informações:

atyjovemguaranikaiowa@gmail.com

(67) 9 9825-6462

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