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#IYIL _ Puri: ano internacional das línguas indígenas

"NÓS EXISTIMOS! PURI!

DEFENDEMOS OS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS!"

"PAÑÍKE BAY HON! PURI!

PAÑÍKE TA TXIMÉON TXEMÍM PRÍKA TÁKIN-DJÉHON TÁPORREN-TIXÉ!"


Mery Txâma Xambé Puri, nos conta um pouco da história territorial e linguística de seu povo, e os processos de resistência na região sudeste do Brasil.


Nosso povo é originário das regiões de divisas entre os estados de MG, RJ, ES e SP. Somos um povo de retomada linguística. Nosso idioma, o kwaytikindo foi interrompido no fim do século XIX e retomado no início do século XXI.


Nosso movimento resistência Puri realizou até o momento todo o trabalho de tradução, análise e sistematização dos registros de nosso idioma. Decidimos por realizar esse trabalho de forma autônoma e interna, dentro do povo, realizado por nós, em um grupo nosso formado por Puris não acadêmicos e também Puris acadêmicos que contribuem a partir de suas áreas de atuação (história, pedagogia, linguagens, etc). Juntamente com a coleta de oralidades sobreviventes estamos produzindo o material de nossa língua para termos nossa língua reestruturada e possibilitar o ensino à outros Puris. Nosso objetivo é lançar esse livro no final deste ou no próximo ano.


Realizamos o ensino da nossa língua tendo como base os nossos cantos. Ancestrais e também os cantos contemporâneos que já são recebidos/produzidos pelos nossos na nossa língua resgatada.


Como somos um povo que sofreu a dispersão, a tecnologia tem sido nossa principal aliada nesse processo de resgate da língua de forma coletiva, pois a internet possibilita que nós puris dos 4 estados (RJ, MG, SP e ES) nos mantenhamos em frequente contato no exercício da nossa oralidade. Criamos nossos métodos de ensino e aprendizagem e os praticamos nos ambientes virtuais e nos nossos encontros presenciais.


Nosso povo não tem território oficialmente reconhecido. Temos 2 comunidades rurais no Estado de Minas (Araponga e Padre Brito) e 3 movimentos organizados Puris nos ambientes urbanos de MG e RJ.


Em nossa comunidade rural Araponga foi realizado a construção de uma escola também de forma autônoma iniciada ao pé da árvore e hoje é uma escola construída e reconhecida pela secretaria de educação a Escola Agrícola Puris. Nela é trabalhado aspectos da cultura, como a tradição do trato na terra. Lá também nosso povo se organizou na compra coletiva de terras, integrada por famílias Puris no compromisso de preservar nossa tradição da terra, e assim os nossos conseguiram permanecer naquela região originária.


Temos em Padre Brito a Associação Índios Puris, que trata com a prefeitura de Barbacena questões básicas para a comunidade, como água, esgoto, escola. Lá ainda não temos uma escola indígena. Em Viçosa, área tradicional Puri, nosso povo faz parte do sistema de cota, sendo a Universidade Federal de Viçosa pioneira no reconhecimento de nosso povo á nível institucional acadêmico. No Rio de Janeiro nosso povo integra ao Conselho Indígena do Estado.


À despeito de nossas existências, comunidades, conquistas, atuações e do que produzimos até então, nosso povo - assim como tantos outros, ainda consta na lista da Funai de povos oficialmente extintos.


Não recebemos a visita da Funai para elaboração de laudo de reconhecimento. Mas se não reivindicamos terras, apenas o reconhecimento da existência de nosso povo, a Funai responde que só atua em processo que envolve questão territorial. Se reivindicamos território, como também já o fizemos em área tradicional de Minas, temos o marco temporal oficializado pelo Governo Temer, que define que somente serão reconhecidas terras enquanto Terras Indígenas, se ocupadas pelo povo na data da promulgação da Constituição de 88, o que ignora todo o processo de expulsão de nós povos indígenas de nossas terras.


Nós, povos indígenas não estávamos em nossas terras nesta data, por que fomos expulsos delas. Oficialmente pelos censo, somos aproximadamente 700 Puris.

Existimos e resistimos.


Tênu-ahí

Gratidão.

Mery Txâma Xambé Puri - Movimento Indígena Resistência Puri.

A REJUIND, com a parceria da Mídia Índia, apoia o Ano Internacional das Línguas Indígenas #IYIL2019#IYIL2019, com isso convocam a diversidade da juventude indígena brasileira falantes de 274 línguas distintas para dizer no seu idioma originário:

"Nós existimos! Seu Povo!

Defendo os Direitos dos Povos Indígenas!"

A REJUIND, também reconhece o processo histórico de colonização do Brasil, onde vários povos indígenas, foram obrigados a não se manifestar verbalmente em seus idiomas, sofrendo e enfrentando ações de violências e violações para se reafirmarem como povos originários, através de suas línguas. Contudo, esses mesmos povos, resistiram com resiliência, desempenhando o fortalecimento das memórias e da história cultural, expressando outros elementos de suas identidades.

Juventude, mande sua imagem, nome e povo com a frase acima, traduzida em seu idioma; e/ou nos conte um pouco sobre a história de seu povo, de como foi o processo de proibição de falar sua língua. Conte você, um pouco da verdadeira história desse país.

Enviar para os dois emails:

comunicacaorejuind@gmail.com, midiaindia.01@gmail.com

Assunto:

Ano Internacional das Línguas Indígenas

Conteúdo:

Exemplo - Sou Alex Seredi, Povo Xavante, nos autodenominamos A'uwe Uptabi, do Estado de Mato Grosso.

- Com a frase traduzida; ou

- Não traduzida, contando um pouco da história de seu povo.

- Coloque anexada sua foto/ou alguma imagem que represente seu povo (boa resolução).

Postaremos no site, e nas redes sociais da REJUIND e Mídia Índia.

*** Opcional - sua rede social, para que possamos marcar na publicação.


Mais informações:

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas

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