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Primeira Médica Indígena no Brasil: que venham mais médicas

Esta é a Myrian Krexu, a primeira médica indígena a se formar no Brasil em 2013, hoje ela faz residência em cirurgia cardíaca.

Era uma tarde chuvosa, em fase de lua crescente, nasci chorona e inquieta e gosto de pensar que foi “Nhanderú” que soprou essa inquietação no meu peito naquele dia, ela seria importante durante todo o meu caminho. Fui batizada Myrian Krexu, lua crescente em Guarani Mbyá.


Foto: @brukamaroski

Aos 4 anos de idade toda essa inquietação resultou em um braço quebrado, tudo bem, já não era mais chorona nessa época, e enquanto minha fratura era colocada no lugar, estava muito mais interessada no processo daquele “tal de médico” que meu pai explicou que era quem consertava pessoas. Ganhei três coisas naquele dia, um gesso, mingau de fubá feito pela minha avó (segundo ela, curava todas as dores), e vontade de consertar pessoas. Foi um longo, e doloroso processo até aqui e ainda é difícil, não foram só os olhares e discursos de ódio, foram os momentos de exclusão, o descrédito, e o lembrete diário de que talvez o lugar “daquela índia” não fosse ali, mas era. Hoje posso dizer, pessoas podem ser consertadas, ao menos o corpo e com um pouco de paciência e começando cedo, a mente, e os preconceitos ensinados. Hoje eu conserto corações, e vou te dizer, são todos da mesma cor.


Fonte: Projeto Origem

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